Liberdade existe? Será que realmente existe? Talvez seja um dos grandes ideais que nós humanos inventamos, mas que não podemos experimentar com perfeição. Existe uma grande diferença entre tudo o que há no mundo real e como é o conceito dessa mesma coisa no mundo das idéias. Assim como o vermelho dos objetos que enxergamos é apenas uma cópia imperfeita da original e perfeita idéia do vermelho do mundo das idéias; a liberdade que cada um pensa ter ou tem não chega perto da liberdade com a qual sonhamos.
Para muitos, a liberdade plena é o verdadeiro sonho, pois só com ela poderíamos realizar todos os nossos outros sonhos sem barreiras: os amores, a independência e tudo o mais. Se for a liberdade o que tanto queremos por que é que nós mesmos criamos tantas amarras sociais, tantas barreiras? Por que criamos artifícios para aprisionarmos a nós mesmo? Todas as regras, todas as crenças não existem por si só. Elas existem porque o homem de alguma forma as instituiu. Não que regras, religiões, a ética e a moral não sejam necessárias, elas são sim e muito importantes. Mas são elas que nos prendem e foram criadas por nós mesmos.
Desde bebês crescemos reprimidos. Toda a vontade, todo o “instinto”, a energia natural que flui em nós para fazermos o que queremos é oprimida pelos pais, pela família, pelos mestres, pela religião a que muitas vezes somos submetidos e por fim aprendemos que o correto é reprimir. Passamos a nos reprimir sozinhos. Nós barramos a nossa própria liberdade.
Observando os animais: eles comem, dormem, vivem e se relacionam sexualmente quando, onde e como tiverem vontade. Existem regras de convívio que de certa forma são impostas, mas não se compara a quantidade de leis e empecilhos que têm as pessoas. As leis deveriam contemplar o básico e essencial, o que com a inexistência dessa lei de fato prejudicaria a sociedade.
Pensem no homossexualismo: o que isso traz de prejudicial para a sociedade? As relações homossexuais são relações como quaisquer outras e só dizem respeito a quem dela participa. Então, por que a sociedade julga, aponta e se incomoda com isso? Tudo isso porque algum dia foi instituída uma lei de que esse tipo de relação é incorreta e por isso é mal vista pelas pessoas. Mesmo não tendo nada a ver com os homossexuais que vivem juntos, as pessoas não querem que eles tenham direito a ter uma relação oficial registrada em cartório – isso não traria nenhum prejuízo pra ninguém, mas porque essas pessoas infringem uma lei social são vítimas de preconceito e discriminação – e muitos outros direitos. E esse é só um exemplo dentro de infinitos.
Somos nós os culpados. A culpa é do sistema. Mas nós somos o sistema. Nós que quisemos essas amarras e limitações.Cada vez que apontamos o dedo para os erros de alguém tiramos a liberdade dele e com isso tiramos a nossa também, porque conseqüentemente iremos nos limitar para nos encaixarmos ao sistema que criamos. Então, mas e aí? O que isso quer dizer? Quer dizer que há a possibilidade de sermos realmente livres. Não fomos nós mesmos que destruímos nossa liberdade? Então nós mesmos podemos dar espaço para que ela exista. A mesma força que nos moveu a criar leis, regras e costumes pode nos mover a criar leis, regras e costumes que permitam a liberdade ser e existir.
A pergunta importante é: é isso o que realmente queremos? Queremos a liberdade? Queremos ser livres?
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