segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Queremos ser livres?

Liberdade existe? Será que realmente existe? Talvez seja um dos grandes ideais que nós humanos inventamos, mas que não podemos experimentar com perfeição. Existe uma grande diferença entre tudo o que há no mundo real e como é o conceito dessa mesma coisa no mundo das idéias. Assim como o vermelho dos objetos que enxergamos é apenas uma cópia imperfeita da original e perfeita idéia do vermelho do mundo das idéias; a liberdade que cada um pensa ter ou tem não chega perto da liberdade com a qual sonhamos. 
Para muitos, a liberdade plena é o verdadeiro sonho, pois só com ela poderíamos realizar todos os nossos outros sonhos sem barreiras: os amores, a independência e tudo o mais. Se for a liberdade o que tanto queremos por que é que nós mesmos criamos tantas amarras sociais, tantas barreiras? Por que criamos artifícios para aprisionarmos a nós mesmo? Todas as regras, todas as crenças não existem por si só. Elas existem porque o homem de alguma forma as instituiu. Não que regras, religiões, a ética e a moral não sejam necessárias, elas são sim e muito importantes. Mas são elas que nos prendem e foram criadas por nós mesmos. 
Desde bebês crescemos reprimidos. Toda a vontade, todo o “instinto”, a energia natural que flui em nós para fazermos o que queremos é oprimida pelos pais, pela família, pelos mestres, pela religião a que muitas vezes somos submetidos e por fim aprendemos que o correto é reprimir. Passamos a nos reprimir sozinhos. Nós barramos a nossa própria liberdade. 
Observando os animais: eles comem, dormem, vivem e se relacionam sexualmente quando, onde e como tiverem vontade. Existem regras de convívio que de certa forma são impostas, mas não se compara a quantidade de leis e empecilhos que têm as pessoas. As leis deveriam contemplar o básico e essencial, o que com a inexistência dessa lei de fato prejudicaria a sociedade.
Pensem no homossexualismo: o que isso traz de prejudicial para a sociedade? As relações homossexuais são relações como quaisquer outras e só dizem respeito a quem dela participa. Então, por que a sociedade julga, aponta e se incomoda com isso? Tudo isso porque algum dia foi instituída uma lei de que esse tipo de relação é incorreta e por isso é mal vista pelas pessoas. Mesmo não tendo nada a ver com os homossexuais que vivem juntos, as pessoas não querem que eles tenham direito a ter uma relação oficial registrada em cartório – isso não traria nenhum prejuízo pra ninguém, mas porque essas pessoas infringem uma lei social são vítimas de preconceito e discriminação – e muitos outros direitos. E esse é só um exemplo dentro de infinitos. 
Somos nós os culpados. A culpa é do sistema. Mas nós somos o sistema. Nós que quisemos essas amarras e limitações.Cada vez que apontamos o dedo para os erros de alguém tiramos a liberdade dele e com isso tiramos a nossa também, porque conseqüentemente iremos nos limitar para nos encaixarmos ao sistema que criamos. Então, mas e aí? O que isso quer dizer? Quer dizer que há a possibilidade de sermos realmente livres. Não fomos nós mesmos que destruímos nossa liberdade? Então nós mesmos podemos dar espaço para que ela exista. A mesma força que nos moveu a criar leis, regras e costumes pode nos mover a criar leis, regras e costumes que permitam a liberdade ser e existir. 
A pergunta importante é: é isso o que realmente queremos? Queremos a liberdade? Queremos ser livres?

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