Na minha primeira aula de Ética na Comunicação, matéria que peguei em minha grade esse semestre, o professor pediu que cada pessoa se apresentasse e dissesse se acreditava ou não no amor e por que.
Essa pergunta gerou vários tipos de respostas na turma. A maioria das pessoas acreditava no amor, de formas diferentes e por razões diferentes, mas acreditava. Pergunto-me: e as pessoas que disseram não acreditar ou que disseram que não sabem se acreditam no amor? Como não acreditar no amor? Como ter dúvida sobre sua existência? Como olhar para tudo e não ver o amor?
Olhar para a natureza e para as pessoas em todas as suas características únicas e especiais e não ser capaz de enxergar a atenção e o amor do Criador em cada ínfimo detalhe é ser no mínimo muito míope e hipermetrope ao mesmo tempo e por querer. Ver o sentimento de cada mãe e pai, de cada filho, de cada irmão, de cada família e não sentir amor é travar dentro de si um escudo de metal impenetrável. Saber da construção de cada amizade, ver uma amizade nascer e se fortalecer e não saber o que é amor não é humano. Ver alguém se apaixonar por aquela pessoa que pra você podia substituir o mundo e não pensar que há amor é improvável, inaceitável, impraticável. Observar a luta, o sacrifício de qualquer um por várias causas – não raro perdidas – em prol de um sentimento e não saber do amor não existe.
Alguém que nunca amou jamais viveu de fato, não entende a vida. Experimentar qualquer tipo de amor é saber que precisa do outro e saber dizer mesmo “na seqüência, bem clichê, eu preciso de você”. E é pelo amor que sabemos que precisamos de nós mesmos, porque antes das outras pessoas, a força que nos faz mover é nosso amor próprio. E nosso amor nos faz ter amor pra aumentar e estender a tudo que amamos mais.
O amor é se não o mais antigo, um dos mais antigos temas de tudo: literatura, música, inspiração de tudo... O amor é o clichê mais velho e o mais bonito, o fato mais banal e ao mesmo tempo o mais extraordinário, a coisa mais piegas e a mais mágica e maravilhosa de todas. Ninguém precisa realmente de muitos amores, precisa de poucos e bons. Amor nunca se divide ou subtrai, sempre soma e multiplica.
Como não acreditar no amor? Está em tudo. É a força que move o mundo. Sem amor, é certo, o mundo já teria acabado. Se com amor, tantos outros sentimentos ruins dominam e tantas conseqüências negativas (fome, miséria, desigualdade) nos fazem perder as esperanças, imagine como seria se o amor não estivesse aqui no combate a tudo isso? Aniquilaríamos-nos em propósito por falta de sentido pra viver e pra manter a vida dos outros se não houvesse amor.
Amar não supõe qualquer esforço, supõe apenas se permitir a esse sentimento. Sem obrigações, sem cobranças, assim nasce. É apenas dar lugar no coração. “O amor é paciente e bondoso. Não é invejoso, nem orgulhoso; não é arrogante, nem grosseiro. O amor não exige que se faça o que ele quer. Não é irritadiço e dificilmente suspeita do mal que os outros lhe possam fazer. Nunca fica satisfeito com a injustiça, mas alegra-se com a verdade. O amor nunca desiste, nunca perde a fé, tem sempre esperança e persevera em todas as circunstâncias.”
A droga mais pesada e a mais viciante de todas é uma só e não é química nem física; é a que faz todos os seres humanos seus dependentes. Ser humano, ser amor. Para ser humano é preciso ser amar. Podemos ter tudo o mais, mas sem amor nada somos e nada temos. “E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria”.
Como não acreditar no amor? Não existe essa possibilidade. Todas as pessoas acreditam, talvez nem todas saibam que de fato acreditam ou neguem isso para si mesmas. Mas acreditar no amor é mais intrínseco a qualquer um do que a própria existência. E isso, não apenas nos seres humanos. Nos animais, nas plantas, em tudo o que vive. De formas diferentes, mas o amor é a base da vida, o amor é a vida e nunca se extinguirá. “Há três coisas que hão-de perdurar: a fé, a esperança e o amor; e destas a principal é o amor.” Amar = verbo divino. Amar = verbo da vida.
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