sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Vale enganar para vender mais?

A manipulação de imagens em anúncios publicitários traz  discussões sobre os padrões de beleza veiculados na mídia e os seus efeitos sobre o público. Existe outra esfera igualmente preocupante: a da propaganda enganosa.

Alguns cosméticos prometem rejuvenescer a pele deixando-a, por exemplo, dez anos mais jovem, e para comprovar o fato utilizam imagens em seus anúncios e comerciais. As fotografias apresentam mulheres com peles maravilhosas e cabelos deslumbrantes. Até que ponto este tipo de publicidade é verdadeira?

Capas de revistas com mulheres de biquíni e retocadas pelo Photoshop vendem uma imagem, mas não um produto. Os anúncios que se referem a cremes para corpo e cabelo não deveriam trazer uma imagem distorcida da realidade, isso é antiético e caracteriza uma propaganda enganosa. Qualquer alteração de luz ou cor nas fotografias destinadas a estes tipos de produto poderia acarretar uma interpretação errônea por parte do público. Há casos mais extremos, em que além de pequenas alterações como as citadas, a manipulação acontece, especificamente, na própria função do produto: na publicidade de cremes anti-rugas, as linhas de expressão da modelo foram completamente retiradas, ou num anúncio de produto para cabelo, o cabelo da modelo aparece com brilho excessivo não correspondente a realidade.

Outro ponto que merece atenção é o fato de que, na maioria dos casos, a modelo que é fotografada para campanhas de cosméticos nunca usou nem usa o produto anunciado. Ou seja, o anúncio mostra um efeito (seja de pele, seja de cabelo) que não foi alcançado com seu uso e o pior: exagera esse efeito com programas de edição de imagem, ao transformar as mulheres em bonecas de plástico.

Um exemplo disso é a última propaganda de vídeo da Seda, que lança um novo produto: um creme de tratamento noturno para os cabelos. A modelo aparece inicialmente com cabelos secos e sem vida; ao se preparar para dormir, ela usa o produto, e o efeito é um brilho absurdo, quase de purpurina. Uma aparência que não seria possível na realidade.

Boa parte das pessoas entende que é um efeito produzido com programas de computador. Mas e as pessoas que não têm consciência disso? Ficam enganadas. E ainda que o público tenha conhecimento das possíveis alterações computadorizadas, é correto mostrar um anúncio não condizente com o real? 

Difícil situação quanto à ética na publicidade que preza pela verdade e honestidade. E infelizmente, a situação é tão grave, que as pessoas já esperam que as propagandas divulguem o produto de um jeito, e ele seja de outro. Afinal, vale enganar o consumidor, lesar seus direitos e desrespeitar sua inteligência só para vender mais?
Coautora:  Bárbara de Pina Cabral

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