Pense que estás em um campo florido e ensolarado pelo qual corres. E tu és uma criança nesse lindo campo. E nesse lugar gigantesco é esplêndido sentir o vento forte passar contra tua face e fazer mover a grama em movimentos totalmente desordenados e, ao mesmo tempo, maravilhosos. Os raios de sol incomodam teus olhos e te fazem franzir a face, mas esses mesmos raios deixam as flores com cores mais lindas e vivas. Nos céus tu vês as nuvens macias como algodão com formatos diversos em que imaginas cachorrinhos, casinhas e pessoas... O aroma das flores inunda tua respiração, e o gosto de tua boca, sem motivo aparente, é de puro mel. Ao correr por esse campo, enxergas ao longe, que o espaço livre acaba e que se inicia uma floresta que aparenta ser da mesma maneira maravilhosa. Tu te apressas para tal ponto alcançar sem perceber que deixas o melhor pelo caminho. Sem aproveitar bem o restante do percurso pelo desespero de chegar ao que a ti já viria cedo ou tarde. Então corre, corre e corre e imaginas como será a floresta que pode ser teu objetivo final.
Apesar de parecer ser agradável ao início, com muitas plantas diferentes, ao chegar ao encontro da campina com a mata, complicações começam a aparecer: quanto mais caminhas, mais se torna árduo o percurso. Enganchas teus pés nas raízes das árvores e tropeças por diversas vezes. Tu tentas ver o que há depois da densa mata, mas as árvores são por demasiado altas e cheias de folhas e impedem a passagem dos raios de sol aos quais estavas acostumado. O pranto silencioso faz teus olhos se marejarem, e as lágrimas encharcam tua face, teus cabelos, tuas mãos e roupas. Mas de que adianta chorar? Agora o que podes fazer? Sozinho, perdido. Não há mais como voltar ao amado campo dos tempos antigos. Teu tempo na floresta já ultrapassa o que passastes na agradável relva, mesmo assim tudo o que desejas é retornar ao que era seu lar, ao que era um sonho em plena vida... Porém, já é tarde demais e o tempo não voltará, pois aquele campo já desapareceu para ti. Tu estranhas tantas mudanças ao teu redor e em ti, pois percebes que já não és mais o mesmo também, já és grande. Tu és levado a seguir em frente e com o tempo o campo do sonho já é uma lembrança boa distante e reprimida, tornas-te duro. Depois de dias infindáveis caminhar, a densidade do matagal começa a esvair-se e podes ver outro campo. Esse resseco e quente, com ralas árvores e sem tantas emoções, mas percebes que poderás viver bem por ali. Agora tens um outro local firme para ti, mas terá que lutar para ficar bem.
Depois de muito viver percebes que o campo de sua vida foram teus anos de infância. O são... Os anos dos maiores sonhos, da imaginação livre, da crença inquestionada, da segurança no que te foi ensinado... Anos de brincadeiras e invenções únicas de cada um, anos das amizades e amores mais puros e verdadeiros... Tardes assistindo a Sessão da Tarde e Chaves, brincando de boneca ou carrinho... A escola é a única obrigação, a única responsabilidade que começa pequena e com o tempo vai crescendo e se dificultando. Mas durante todo o tempo em que é um fardo brando, a vida vai como uma fantasia. E em todo o tempo te perguntam “que vais ser quando crescer?”. Mas que pergunta mais imbecil! Não vê que a criança já é o máximo, o mais perto do perfeito, feliz e puro que uma pessoa chegará a ser? Para que apressá-la e preocupá-la com os anos vindouros que por mais alegrias que tragam nunca se compararão as maiores alegrias de todos os tempos: os sorrisos da meninice. E esses serão os tempos da saudade.
Depois de muito viver percebes que o campo de sua vida foram teus anos de infância. O são... Os anos dos maiores sonhos, da imaginação livre, da crença inquestionada, da segurança no que te foi ensinado... Anos de brincadeiras e invenções únicas de cada um, anos das amizades e amores mais puros e verdadeiros... Tardes assistindo a Sessão da Tarde e Chaves, brincando de boneca ou carrinho... A escola é a única obrigação, a única responsabilidade que começa pequena e com o tempo vai crescendo e se dificultando. Mas durante todo o tempo em que é um fardo brando, a vida vai como uma fantasia. E em todo o tempo te perguntam “que vais ser quando crescer?”. Mas que pergunta mais imbecil! Não vê que a criança já é o máximo, o mais perto do perfeito, feliz e puro que uma pessoa chegará a ser? Para que apressá-la e preocupá-la com os anos vindouros que por mais alegrias que tragam nunca se compararão as maiores alegrias de todos os tempos: os sorrisos da meninice. E esses serão os tempos da saudade.
A infância é tudo, é o sonho. Quando chega a adolescência, é como se tu caísses em um buraco profundo ou sem fim, de repente, bruscamente. Parece que a queda será interminável; com os anos aprendes a conviver com esse deslize, mas nunca te sentirás bem como na terra firme que era a tua puerícia. Chegando a idade adulta tens experiência, mas não tem mais a fantasia. Chegas a outra terra firme, porém muito menos amena que a inicial.
Lutemos para que se prolonguem os anos de nossa infância. Tentemos fazer pelo menos alguns raios de sol de quando éramos pequenos perdurem até nossa velhice quando completaremos o ciclo. Que coisa ruim querer preconizar os pequenos a nossa volta.
“Oh! Que saudades que tenho da aurora da minha vida, da minha infância querida que os anos não trazem mais!”. Infância: uma saudade eterna e infinita.
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