Era uma vez um pequeno coelho chamado Tato que nunca tinha tido uma namorada. Ele se sentia solitário na floresta sem uma companheira. Já seu melhor amigo, que também era um coelho e se chamava Vico, já tinha tido muitas namoradas. E já tinha tido vários filhotes coelhinhos com essas namoradas, tantos que ele nem sabia quantos e nem o nome de todos.
Vico vivia a caçoar de Tato, vivia a mandá-lo tomar jeito e arrumar uma fêmea para si, pois achava muito estranho, anormal e até desconfiável o fato de seu grande amigo nunca ter tido uma coelha. A questão é que para Tato ter uma coelha não era uma banalidade, não era algo que ele buscaria apenas por prazer. E outra coisa: ele não buscaria o prazer em uma coelha qualquer. Para Tato, deveria haver uma conexão forte e especial entre ele e uma fêmea para que com a escolhida ele compartilhasse o resto de seus dias criando os filhos que teriam juntos. Infelizmente, o dia de Tato conhecer a coelha de seus sonhos e planos ainda não havia chegado (se é que chegaria).
Já Vico e outros amigos da floresta, não davam o menor valor a sentimento. Pensavam que se é o prazer o que se quer, há de se buscar isso a qualquer custo e em qualquer uma. Vico não tinha vontade de fixar raízes e formar uma família ou pelo menos nunca tinha cogitado isso. E por pensar assim, ver qualquer um que pensasse diferente o fazia querer torná-lo como ele; ainda mais quando se tratava de seu melhor amigo. Vico gostava muito de Tato, mas por causa disso o considerava, no mínimo, muito estranho.
Num agradável dia, chegou à floresta uma bela coelhinha chamada Tati. No momento em que colocou seus olhos vermelhos nela, Tato teve certeza de que ela era a escolhida: a coelha da sua vida. Todos queriam conhecer Tati já que ela era a novidade da região. Vico acabou se interessando pela nova coelha também, mas só pelo gosto de conquistar algo diferente. Com o tempo, Tati acabou se tornando amiga dos dois.
Tato era tímido, acanhado, reservado, mas muito puro de intenções. Vico era extrovertido, histriônico e mais amigável, porém de intenções vazias e fúteis. Tati gostava dos dois, como amigos. Mas com o tempo, conhecendo melhor os dois foi percebendo que o coração de tato era mais bonito e doce que o de Vico.
Vico acabou se declarando para Tati, com falsas promessas e palavras bonitas. Ela prometeu pensar. Tato cada dia se sentia mais encantado e apaixonado pela amiga, mas lhe faltava coragem para uma declaração. E ele se sentiu até traído pelo amigo quando Tati lhe contou do acontecido. Não porque seu amigo tivesse se declarado para a coelha que ele gostava, mas por não ter lhe contado que o faria. O maior medo de Tato foi ao perguntar a coelhinha se ela também correspondia aos sentimentos de Vico. E para seu espanto ela disse que não, mas que estava sim gostando de certo coelho, de quem ela era amiga, que ele teria que adivinhar quem era.
No dia seguinte, depois de muito pensar, Tato decidiu-se e perguntou a Tati se o coelho por quem ela nutria sentimentos era ele mesmo. Ao vê-la toda vermelha e gaguejando, ele teve certeza que sim. E antes que ela respondesse falou tudo que o seu coração sentia e a propôs em casamento. No verão seguinte, Tati e Tato já estavam juntos e com vários filhinhos. Felizmente, Vico encarou bem a situação e continuou amigo do casal.
Muitos verões se passaram e Vico continuava solteirão e, agora coitado, encalhado. Já não tinha mais os encantos de sua juventude para atrair coelhas e passaria o resto de sua vida solitário. Já Tato passaria o resto de sua vida com Tati, compartilhando alegrias e tristezas, com muito carinho e nunca sozinho junto com seus filhos.
Moral da história: Não importa quão solitário você se sinta, espere a hora certa e a pessoa certa e não deixe se levar pela opinião dos outros, nem pela busca insensata de prazer. Não adianta nada ter muito prazer e gente que passou por sua vida se em nenhuma delas você fixar raízes e criar um amor, algum dia pode ser tarde demais para tentar fazer isso.
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