sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Encontrando diamantes

Por que temos a mania de nunca dar valor ao que temos? E de só nos darmos conta de que o que tínhamos era e é muito importante depois da perda? Seria a síndrome de só dar valor depois que perde... O que acontece é que as pessoas sempre acham que as coisas estão ruins. Sim, por mais que tudo pareça ótimo, nunca é suficiente. Por isso que sendo pobre ou sendo rica, a pessoa não se contenta. No caso dos que pouco têm isso é compreensível. Como se contentar com a miséria, com a fome e o sofrimento? Mas mesmo assim, em muitos casos, os que possuem menos são mais gratos a Deus e a vida do que os que têm muitas posses. Os ricos, no geral, não dizem que a vida é maravilhosa e bela: sempre têm muitas reclamações e queixas a fazer.
Mas o pior não é em relação ao financeiro, e sim as pessoas que passam por nós. Quantos autores, heróis, pesquisadores e criadores que muito fizeram só tiveram mérito após sua morte? E, em muitos casos, vivem uma vida difícil e sem reconhecimento e parece que só viram importantes após o óbito. E é assim com as pessoas em nossa vida também. Às vezes esquecemos o valor daqueles que estão ao nosso lado, não damos o devido valor, não tratamos bem e nos arrependemos depois que as perdemos. Essa perda não precisa ser a morte, mas o fim de um relacionamento, à distância, o fim de uma amizade... Muita coisa que pode acontecer. E esse tipo de acontecimento que em certos casos é capaz de abrir nossos olhos para a nossa atitude, para o que fizemos, para como tratamos as pessoas. Mas aí pode ser tarde demais.
Enquanto não for tarde demais, vamos tentar recuperar o que deixamos escorrer por entre nossos dedos por não valorizar quem merecia. Mas e quando for tarde demais? Só é tarde demais depois da morte, nos outros caos vamos concertar. E vamos usar a experiência dos nossos erros pra valorizar o que e quem ainda temos. Por que o que passou já foi, mas serve como experiência e o presente é que temos que valorizar pra melhorar o futuro evitando arrependimentos.
Cada pessoa que temos em nossa vida é como um diamante ainda não descoberto: ele está lá (debaixo da terra ou em um rio), é um fato; mas só terá valor depois de encontrado. Não deixemos que nossos diamantes só sejam encontrados quando for muito tarde, vamos dar valor a eles antes, vamos encontrá-los antes.

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